Cada diretório apresenta uma estrutura particular e alguns arquivos-chave para a configuração do sistema. É preciso lembrar aqui que um dispositivo físico é tratado no Linux como um arquivo, e se encontra no diretório /dev. No início de cada arquivo, geralmente encontra-se um comentário, explicando a que se destina o arquivo e quais dados devem ser incluídos para configurá-lo.
Muitos arquivos, porém, apenas apontam para outros arquivos, e estão ligados através dos chamados links. Existem dois tipos de links: o hard link é exatamente o nome de um arquivo (sendo que um mesmo arquivo pode ter vários nomes); ele só será removido do disco rígido quando o último nome for removido. Já o soft link (ou link simbólico) é um pequeno arquivo especial, que contém o caminho para onde este pequeno arquivo está apontando, ou seja, o link aponta para um outro arquivo, que pode ser inclusive de um outro tipo de sistema de arquivo. Para criar um link simbólico basta digitar, como superusuário:
ln -s [arquivo_original] [link_para_arquivo] |
Após a descrição deste conceito importante, segue primeiramente uma lista com alguns diretórios importantes, e logo após alguns arquivos destes diretórios. Estes diretórios podem mudar de uma distribuição Linux para outra, mas basicamente seguem a estrutura abaixo.
Diretório /etc
init.d: diretório que contém scripts para a inicialização de serviços da máquina, que na verdade é um link simbólico para o diretório /etc/rc.d/init.d.
exports: arquivo que serve para controlar o acesso a sistema de arquivos que estão sendo exportados para clientes NFS.
X11: configurações relacionadas ao sistema de janelas X, como por exemplo configuração do teclado e comportamento de alguns programas no ambiente gráfico.
crontab: arquivo de configuração do cron, que é o servidor utilizado para executar serviços agendados.
passwd: contém informações sobre os usuários da máquina. Nesse arquivo ficam armazenados o nome do usuário, seu nome real, diretório pessoal, senha criptografada[5], interpretador de comandos a ser usado e outras informações específicas do usuário.
group: parecido com o arquivo passwd, porém, trabalha com grupos de usuários ao invés de usuários individuais.
fstab: contém uma lista com os sistemas de arquivos e opções padrão para a montagem de sistema de arquivos.
inittab: arquivo de configuração dos níveis de execução (runlevel) do sistema.
printcap: contém as configuração para as impressoras ligadas ao sistema ou à rede. Nesses arquivos são configurados filtros e alguns outros recursos administrativos relativo a impressoras.
securetty: contém a relação de terminais considerados seguros. O superusuário só poderá acessar a máquina a partir desses terminais. Geralmente são listados apenas terminais acessíveis localmente.
modules.conf: arquivo de configuração dos módulos do kernel, composto por várias diretivas que adicionam, direcionam e carregam os módulos.
rc.local: este arquivo é um link simbólico para /etc/rc.d/rc.local. Ele é um script, tendo como principal função atualizar arquivos de mensagens de inicialização do sistema e do idioma, entre outros arquivos (verifica arquivos como o /etc/issue e o /etc/motd). Ele será executado depois de todos os scripts de inicialização.
rc.sysnit: executado no momento da inicialização do sistema, ele configura todas as informações necessárias para a utilização do sistema, como: detalhes de rede, parâmetros do kernel e mapa de teclado, entre outras.
shells: lista dos interpretadores de comando válidos. Alguns servidores e comandos restringem o acesso do usuário aos interpretadores de comando relacionados nesse arquivo.
Diretório /usr
X11R6: é um diretório contendo arquivos do sistema de janelas X. Esse diretório contém diversos outros arquivos pelos quais se espalham os arquivos do X.
bin: contém praticamente todos os comandos de usuários. Alguns outros podem ficar no diretório /bin ou, com menos freqüência, no diretório /usr/local/bin.
sbin: possui os comandos de administração do sistema que não necessitam estar no diretório raiz e que são exclusivos do superusuário.
local: é usado para armazenar os programas instalados localmente e que não se encontravam empacotados com o RPM.
share/doc: neste diretório se encontra a maioria da documentação disponível da distribuição, como páginas de manual (man pages), arquivos Como Fazer (HOWTOs) e a documentação dos programas, entre outros.
Diretório /var
lock: contém arquivos de bloqueio. Muitos programas seguem uma convenção criando arquivos de bloqueio nesse diretório, para sinalizar que estão usando um dispositivo específico (como o modem, por exemplo) ou um arquivo especial. Quando os programas detectam a presença desse bloqueio eles não usam o mesmo dispositivo ou arquivo.
log: possui os arquivos de registro e/ou históricos de programas. Os arquivos desse diretório tendem a crescer indefinidamente; isso faz com que se torne necessária uma limpeza periódica nesse diretório. No Conectiva Linux o aplicativo logrotate faz esse serviço automaticamente de acordo com configurações preestabelecidas ou configurações definidas pelo administrador.
spool: armazena as diversas filas de tarefas como e-mail, notícias, impressão, etc. Cada fila fica armazenada em seu próprio diretório.
Diretório /proc
cpuinfo: apresenta informações sobre o(s) processador(es), tais como fabricante, modelo e registradores, entre outras.
devices: mostra uma relação dos dispositivos atualmente configurados no kernel do sistema operacional.
interrupts: relaciona as interrupções em uso e outras informações a respeito dessas como, por exemplo, a quantidade de vezes que foram acessadas.
meminfo: arquivo com informações sobre compartilhamento e o uso de memória.