Nesta seção será examinada uma das questões que interessa aos usuários iniciantes de Linux: a utilização de periféricos.
Agora que você já sabe o que são e como funcionam os dispositivos no Linux, serão estudados os comandos mount e umount, que são os responsáveis pela montagem dos dispositivos. Mas, antes de montar qualquer dispositivo, é preciso saber quais dispositivos estão ligados a ele. Primeiramente, os arquivos que mapeiam dispositivos estão no diretório /dev da estrutura de diretórios de seu Linux. Serão mostrados a seguir os dispositivos que são mais freqüentemente utilizados para montagem. Veja na Tabela 8.6. Periféricos os dispositivos mais usados no cotidiano, com seus respectivos periféricos.
Tabela 8.6. Periféricos
Arquivo | Mapeia qual periférico |
|---|---|
hda | Primeiro disco rígido instalado na máquina (master). |
hdaX | A partição X do primeiro disco rígido instalado. hda1 mapeia a primeira partição do disco. |
hdb | O segundo disco rígido/CD-ROM instalado na máquina (slave). |
hdbX | A partição X do primeiro disco rígido instalado. hdb1 mapeia a primeira partição do disco. |
fd0 | O primeiro drive de disquete. |
fd1 | O segundo drive de disquete. |
cdrom | O drive de CD-ROM instalado na máquina (caso exista). |
Vale aqui uma lembrança: em hd?X, o item X pode variar de acordo com o número de partições existentes no disco rígido e ? pode variar de acordo com o número de discos rígidos instalados na máquina.
Veja agora a sintaxe do comando mount que permite a utilização do periférico:
mount [ -t tipo ] dispositivo diretório |
No exemplo a seguir, será demonstrado o procedimento para a montagem de um disquete formatado para Windows:
# mount -t vfat /dev/fd0 /mnt/floppy |
Este comando instrui o kernel para que ele inclua o sistema de arquivos encontrado em /dev/fd0, que é do tipo vfat, disponibilizando-o no diretório /mnt/floppy. Caso haja algum arquivo no diretório onde foi montado o disquete (ou outro sistema de arquivos), esse conteúdo ficará indisponível enquanto o sistema de arquivos estiver montado. O diretório /mnt/floppy referenciará o diretório raiz ("/") do sistema de arquivos montado.
Existem vários tipos de dispositivos que podem ser montados. Na Tabela 8.7. Tipos de sistema de arquivos constam os tipos mais utilizados.
![]() | Dica |
|---|---|
Para montar dispositivos automaticamente, ou melhor, na hora do boot na máquina, você deve editar o arquivo /etc/fstab, onde deverá acrescentar uma nova linha, indicando a montagem do dispositivo. Esta opção é interessante para HDs com mais de uma partição. | |
Tabela 8.7. Tipos de sistema de arquivos
Tipo | Descrição |
|---|---|
vfat | Disquete formatado para Windows. |
ext2 | Disquete formatado para Linux. |
ext3 | Disquete formatado para Linux. |
iso9660 | CD-ROM. |
![]() | Nota |
|---|---|
É importante não remover um dispositivo (físico), como um disquete de seu drive, enquanto ele permanecer montado. Existem operações que são efetuadas quando um dispositivo é desmontado. Uma delas é a gravação de dados que possam estar no buffer de armazenamento, esperando ser gravados. | |
Depois que um sistema de arquivos é montado, pode-se utilizá-lo normalmente. Ao final da utilização do sistema de arquivos, deve-se desmontá-lo para que se possa, por exemplo, remover o CD do drive. Para isso é utilizado o comando umount, que desmonta o sistema de arquivos. A sintaxe do comando umount é:
umount dispositivo |
ou então:
umount diretório |
Normalmente, apenas o superusuário poderá montar e desmontar um sistema de arquivos. Existe uma maneira simples para que o usuário comum acesse o disquete. São os comandos do pacote mtools. O mtools é uma coleção de ferramentas que permite ao Linux manipular arquivos MS-DOS. Sempre que possível o comando tenta simular o comando equivalente a esse sistema. Por exemplo, comandos como mdir a: funcionam na unidade de disquetes a: sem qualquer montagem ou inicialização prévia[46]. Alguns comandos do pacote mtools são: mattrib, mbadblocks, mcd, mcopy, mdel, mdeltree, mdir, mdu, mformat, mkmanifest, mlabel, mmd, mmount, mmove, mrd, mread, mren, mtoolstest e mtype. Para utilizá-los, basta digitar o comando desejado em um terminal como no exemplo abaixo:
$ mdir |